>>>A Incrível Decadência Humana<<<



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Império Kraviano
Jardim Humano
Pró - Seco
Leite no Pratinho
Petulância
Virulência Amiúde


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domingo, agosto 13, 2017

8760 horas desde que entrou por essa porta e deitou ao meu lado
eu gozei dentro de você e falei que te amava
(como nunca tinha dito)
era dia dos pais
e você disse que pensou em ter um filho comigo
para que assim eu te assumisse
isso dói tanto
tanto quanto ficou claro pelos seus olhos que havia acabado
mas mesmo assim afirmei que queria casar com você
(eu não estava mentindo)
enquanto agarrava a suas pernas no corredor do prédio para que não fosse embora

tão patético

amar

alguém

que se magoou tão profundamente e quando já é tarde demais

você teve sua despedida e eu ainda me sinto tão culpado



escrevi às 17:42

terça-feira, março 21, 2017

todos os dias eu espero você voltar
abro o jornal
e leio o horóscopo
(que eu nunca acreditei)
as vezes ouço passos lá fora
e penso
"é ela"
mas você nunca adentra a porta
apesar de ter ficado com minhas chaves
será que hoje você vem
ou só quando eu não tiver mais esperança
quando não for mais necessário
então eu finjo que acabou
e que não tenho mais fé
eu sei que isso nunca vai acontecer
eu sei
mesmo assim peço para que minha vó
leia nas cartas o meu futuro
dá para ver nos olhos
que ela está mentindo
quando diz que você vai voltar
que está destinado a acontecer
eu quero tanto acreditar nisso
que você virá essa tarde
ou então nessa noite
talvez na madrugada que já precipita
e eu passei em claro
e tão logo você deitará ao meu lado
e ficará em silêncio
me olhando chorar
como no tempo em que me amou
mas já é dia
e eu estou cansado


escrevi às 06:46

sexta-feira, março 10, 2017


 hoje
 eu vi você
 do outro lado da rua

 o seu cachorro
 mancava
 como o amor

 essa imagem idiota
 e sua presença tão perto da minha casa
 irão me assombrar por muito tempo

não há um dia sequer em que eu não pense nesses fantasmas
então por qual razão estou tão assustado
 quando é justamente isso que desejo?


escrevi às 16:33

segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Os fantasmas...
sempre os mesmos fantasmas
aguardando nas mesmas esquinas




 (há algo de trágico e banal em fugir do destino para consuma-lo)

escrevi às 11:34

terça-feira, novembro 22, 2016

se sentir velho e patético
por implorar por amor
e atenção
por inventar doenças
para poder voltar para casa
e dormir

e mesmo com o rosto cheio
de lágrimas e ranho
dizer quase sorrindo
"não é nada
é só um dia que deu errado"

e eu não estou mentindo


escrevi às 01:11

sábado, novembro 12, 2016

 voltando para casa, converso sozinho e distraído. sempre penso em você olhando o pedaço do céu e os prédios velhos do centro, são sempre as mesmas conversas repetidas e repetidas vezes como memórias involuntárias do seu corpo e dos meus erros.

demoro até perceber que do outro lado da rua seus pais sorriem e acenam para mim. eu estou tão assustado que meu braço fica como uma bandeira a meio mastro, acena pela metade. a cena nunca se fecha e não sei bem o que pensei me sentindo tão acuado como um animalzinho de merda, mas agora parece claro como um filme sua voz dizendo ao fundo "todos em minha vida te odeiam".

então desço a rua envergonhado e surpreso sem nem ao menos olhar para trás.

sei que não se trata de culpar alguém
mas eu ainda me sinto o vilão da sua vida

 (e se em meu quarto eu choro condescendentemente, molhando o travesseiro e distorcendo meu rosto é porque ainda não aprendi as coordenadas dessa nova vida)


escrevi às 01:00

segunda-feira, outubro 31, 2016

"Será que você seria capaz de se esquecer de mim, e, assim mesmo,depois e depois, sem saber, sem querer, continuar gostando?"


Guimarães Rosa - Nenhum, nenhuma

escrevi às 16:27

sexta-feira, setembro 30, 2016

elas vem
diferentes e iguais
com todas é diferente e é igual
com todas a ausência de amor é diferente
com todas a ausência de amor é igual

Samuel Beckett (1937)

escrevi às 11:29

terça-feira, setembro 20, 2016

 eu sonho com você
 de novo

 seguimos para a mesma direção com vergonha de nos darmos as mãos
 e os outros vejam que estamos juntos

 talvez seja óbvio o sentido
 e a resposta
 mas por qual razão eu ainda espero que você volte?


escrevi às 21:50

terça-feira, setembro 06, 2016

"Aprendi a viver com simplicidade, com juízo , a olhar o céu, a fazer minhas orações,
a passear sozinha até a noite, até ter esgotado esta angústia inútil."

Anna Akhmatova

escrevi às 13:41

segunda-feira, agosto 08, 2016

parece que estou sempre escrevendo as mesmas coisas
mesmas palavras
nas mesmas frases
para as pessoas diferentes

ou talvez para mim mesmo

escrevi às 11:14

sexta-feira, agosto 05, 2016

 "O que acontece é que, quando estou com você, eu me perdôo por todas as lutas que a vida venceu por pontos, e me esqueço completamente que gente como eu, no fim, acaba saindo mais cedo de bares, de brigas e de amores para não pagar a conta."

Marçal Aquino - Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios

escrevi às 16:37

quinta-feira, agosto 04, 2016

 voltando para casa
 eu chorei de novo 
 não que redima algo
 ou reduza a culpa
 mas no longo caminho 
 converso com você 
 meu fantasma mais bonito
 cheguei mesmo a acreditar 
 que haveria um belo final 
 além desse peso no peito
 e os sapatos andando sozinho
 para o apartamento empoeirado
 e agora?
 já não pode sonhar 
 já não pode morrer
 inventar novos amores já não consegue 
 e agora como vai passar essa noite 
 se não é aquela pessoa que sempre imaginou ser
 se não tem ninguém esperando depois das cinzas das horas 
 você manca
 para onde?


escrevi às 22:16

terça-feira, agosto 02, 2016

 novamente me sinto um monstro...
 sempre se é o vilão da vida de alguém?
 não se pode apagar nada
 pois o passado sempre está lá
 manchando as folhas passadas a limpo.

escrevi às 17:26

quinta-feira, julho 14, 2016

 hoje quase rezei
 e cheguei mesmo a acreditar que deus só estaria dormindo
 mas por qual razão ele acordaria por mim?

escrevi às 12:29

terça-feira, julho 12, 2016

 eu deixo a carta e as flores na sua porta
 poderia ser uma metáfora mas não é
 é só a coisa idiota que sempre insisto em fazer
 esperando que alguma coisa aconteça
 para mudar radicalmente minha vida

 (mas nada nunca acontece)

escrevi às 20:46

segunda-feira, julho 11, 2016

Impressão IV - e.e. cummings

as horas sobem apagando estrelas e é
madrugada
nas ruas do céu a luz anda espalhando poemas

na terra uma vela é
extinta a cidade
acorda

com uma canção em sua
boca tendo a morte em seus olhos

e é madrugada
o mundo
continua a assassinar os sonhos. . . .

vejo na rua em que homens
fortes cavam pão
e eu

vejo os rostos brutais das
pessoas contentes horríveis perdidas cruéis
felizes

e é dia,

no espelho
vejo um homem frágil
sonhando
sonhos
sonhos no espelho

e
é crespúsculo na terra

uma vela se acende
e é escuro.
as pessoas estão em casa
o homem frágil está na cama
a cidade
morre com a morte na boca tendo uma canção
nos olhos
as horas descem,
levando à cena estrelas. . . .

na rua do céu a noite anda espalhando poemas

escrevi às 16:21

sexta-feira, julho 08, 2016

"Penso em Si desde o dia em que a vi - um mês? Quando eu era jovem sentia pressa de me dizer, sentia sempre medo de deixar passar a onda que saía de mim e me levava à outra, sentia sempre medo de já não amar, já não saber nada. Mas agora já não sou jovem e aprendi a deixar quase tudo passar - irremediavelmente.
Ter tudo para dizer - e não abrir os lábios. Tudo para dar - e não abrir a mão
"

Marina Tsvietaieva - Meu Irmão Feminino

escrevi às 12:42

quinta-feira, julho 07, 2016

 eu guardei a pulseira de triagem do hospital para me lembrar que a vida pode seguir muito bem sem mim...
 mas que ainda assim, não obstante e apesar de tudo - de todo o resto e todos os outros - eu tenha coragem de não ceder a destruição do tempo como algo terrível
 que eu consiga levantar da cama e caminhar até a porta
 descer as escadas
 ir comprar o pão pela manhã




escrevi às 18:44

quarta-feira, julho 06, 2016



"Às 3h15, nós não vamos para a cama juntos outra vez, e ela não vai enroscar suas pernas com as minhas e não vamos dormir. E então, pela manhã, ela não vai me dizer "Oi pessoa" e então não vamos passar outro dia, apenas um dia comum e aborrecido. E não vamos ter filhos, e depois não vamos envelhecer juntos. E depois não vamos lembrar juntos nossas vidas porque nem vamos reconhecer um ao outro. Isso é o que vai acontecer às 3h15."


Miranda July - o Futuro

escrevi às 16:07

 Lembranças esparsas de 2 de julho em meio as luzes brancas e assépticas do hospital:
 talvez eu tenha quase morrido para provar a mim mesmo que posso te dar o que você pede.
 depois, quando os remédios passam e a vergonha vem, meu melhor amigo me diz como se não fosse nada (como uma piada):
 "Você disse assim deitado na maca: 'Maiakóvski escreveu certa vez que há um homem feliz no Brasil... quem seria esse homem? Quem?'"

escrevi às 13:45

terça-feira, julho 05, 2016

"O que eu fiz de errado eu carrego comigo. Nada some porque a gente decide, porque a gente quer. Ninguém pode me tirar o mal que eu fiz pros outros. A gente precisa disso pra ser uma pessoa melhor. Perdoar é como fingir que não existe. Mas a vida é resultado do que a gente fez. Não faz sentido agir como se algo não tivesse acontecido...

É por isso que perdoar não faz sentido. Perdoar é uma covardia. O que exige coragem é continuar amando e tendo amizades e fazendo bem pros outros sem fingir que se pode apagar nada, sem perdoar nem aceitar perdão."


Daniel Galera - "Barba ensopada de sangue"

escrevi às 16:38

 Quando eles me colocaram na maca do hospital, acho que pensei o quanto era idiota morrer por amor depois de velho.
 O fato é que morrer por amor, por idiotice ou por nada não faz a menor diferença...
 é só morrer.

escrevi às 13:29

sábado, julho 02, 2016



Não se mate - Carlos Drummond de Andrade


Carlos, sossegue, o amor

é isso que você está vendo:

hoje beija, amanhã não beija,

depois de amanhã é domingo

e segunda-feira ninguém sabe

o que será.


Inútil você resistir

ou mesmo suicidar-se.

Não se mate, oh não se mate,

Reserve-se todo para

as bodas que ninguém sabe

quando virão,

se é que virão.


O amor, Carlos, você telúrico,

a noite passou em você,

e os recalques se sublimando,

lá dentro um barulho inefável,

rezas,

vitrolas,

santos que se persignam,

anúncios do melhor sabão,

barulho que ninguém sabe

de quê, praquê.


Entretanto você caminha

melancólico e vertical.

Você é a palmeira, você é o grito

que ninguém ouviu no teatro

e as luzes todas se apagam.

O amor no escuro, não, no claro,

é sempre triste, meu filho, Carlos,

mas não diga nada a ninguém,

ninguém sabe nem saberá.

Não se mate

escrevi às 12:38

segunda-feira, abril 01, 2013

Nessa manhã,
leio
sozinho e em voz alta
poemas de amor
escritos por um velho,
alcoólatra
e desiludido com a vida.

Sua foto de criança,
olhando para a lente
de uma maneira
desafiadora
e pedante
serve como marcador de página.

 Bebo meu café e sorrio, a vida às vezes é bonita e sarcástica.

escrevi às 10:21

quarta-feira, março 27, 2013

Só tenho de continuar, como se houvesse algo a fazer, algo a começar, algum lugar aonde ir. 
É estranho pois eu me sinto não-destruído, não-deprimido, não-submetido ao que durante muito tempo aprendi a chamar como "minha vida". Talvez isso tenha sido sempre o problema, o difícil  para mim sempre foi o banal "estar bem". 
Percebo tão claramente que meu apego ao tempo e aos eventos revelam esse desejo de inútil de reviver os momentos como um eterno retorno do mesmo... refaço a TV ligada e o desenho que passava naquela manhã, as vezes que eu chorei, as cartas nas gavetas, os abraços, as despedidas que nunca tive e os fantasmas... os inúmeros fantasmas que ficaram dentro do peito e que agora deixo sair algumas vezes à noite quando todos estão dormindo.
Já não posso mais fingir que não sei que durante muito tempo escolhi estar preso, escolhi voltar e olhar para tudo isso com olhar de condescendência e pena. O tempo vai me empurrando para frente como naqueles jogos de plataforma dos videogames que jogávamos e por mais que eu tente voltar já não consigo, já não posso e nem devo.
É preciso não esquecer e eu não esqueci.

escrevi às 05:58

quinta-feira, fevereiro 21, 2013


"A morte vai, incessantemente, me desgastando" disse Borges já cego, sem poder ver os livros que tanto amava em sua biblioteca. Já eu por me sentir velho e cansado, decidi crescer e salvar minha única vida.
Então, quando volto para casa depois de um dia cheio (de nada, em especial) faço minhas preces silenciosas e choro... um choro que não dói. Sinto uma estranha felicidade pelas pequenas coisas banais.
São momentos bonitos como os dias em que amei você...mas já estou cansado, muito cansado de ter coragem e amor.


escrevi às 03:21

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

Não há uma manhã sequer em que eu não pense em escrever todas as cartas de despedida, cartas essas que nem sequer foram escritas e como sabemos cartas nunca conseguem chegar ao seu destinatário.
Então, eu fico olhando as palavras passarem e toda essa sede e mágoa sem saber o que fazer com elas. Eu de fato nunca consigo entender para onde os sentimentos escoam, onde se guarda tudo isso... se a gaveta já está cheia e olha, eu juro, que tenho jogado tanta coisa fora.
Deixei a casa suja, o espelho que não metaforicamente você quebrou  (eu prometi que não faria nenhuma metáfora ou análise tola disso) ainda está lá no chão do quarto. Tudo tão vazio e estranhamente bagunçado como se fosse um aviso de que o tempo havia parado quando você saiu pela porta que deixei aberta para você sair.
As pessoas dizem que estou bem e forte, e o pior é que de fato me sinto assim. Não é que não doa, mas eu já estou velho e cansado demais para saber que não foi a primeira e nem será a última vez, que o mundo é grande demais e todos esses clichês que mais parecem saídos de um livro de auto-ajuda (eu mesmo disse isso a você uma vez). Então, por favor, não aja como se não fosse você que escolheu ir embora e aumentar o buraco no meio do seu peito.
Já é hora de arrumar a casa e eu nunca mais escreverei para você.

escrevi às 13:36

sábado, fevereiro 09, 2013

"ela sabia o que queria e não era
 eu. 
 conheço mais mulheres desse tipo do que de 
 qualquer outro."

Charles Bukowski

escrevi às 15:18

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

A incrível e triste história das pessoas que aprenderam a pedir atenção desperadamente por meio de brigas e ofensas.
Eu nunca sei o que fazer por elas...

escrevi às 02:13

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

"Você a ama?” – pergunta o rapaz 
“Estou acostumado a ela...” – responde o esposo. 
“ Estar acostumado a uma pessoa e viver com ela, também não é amor?” – conclui o amante.

Roleta Chinesa - Rainer Werner Fassbinder

escrevi às 01:21

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

"Sempre achei a vida tão pequena, até cuidar da sua respiração..."

escrevi às 01:01

segunda-feira, outubro 31, 2011

O que ainda procura por aqui?

escrevi às 11:40

sábado, outubro 15, 2011

"está estampado no
olhar: elas foram
tomadas elas foram
enganadas. eu nunca sei o que
fazer por
elas."

Bukowski

escrevi às 16:01

quinta-feira, outubro 13, 2011

espero mais que tudo
que em um dia qualquer
ordinário e comum
talvez na praia
quando seus dedos tocarem levemente a água
ou olhando as luzes no teto do seu quarto
sem que você perceba
os blocos de gelo
que por tanto tempo guardou dentro de você
colapsem
e
derretam

quem sabe um dos exploradores ou aventureiros
que com toda certeza  irão a sua procura
achem meus ossos
(o tórax quebrado
e arranhado)
na beirada da cratera
onde está o seu peito

escrevi às 16:00

quarta-feira, outubro 12, 2011

para deixar você ir
tive que me esconder em livros,
papeis,
citações
e
palavras esquecidas

(um dia, quem sabe, terei coragem para ler todas as cartas que nunca mandei)

escrevi às 01:31

terça-feira, outubro 11, 2011

todas as manhãs 
me olho no espelho
e repito a seguinte promessa:
"não faça as coisas que eu fiz."

escrevi às 07:46

quando saio para andar sempre me sinto meio idiota por esperar sinais
acontecimentos extraordinários
desses que criamos como quando somos crianças
"se o próximo carro for vermelho então quer dizer que ela gosta de mim"
pena que isso pouco acontece
o carro vermelho não passa
e você nunca aparece na sua janela
mesmo que eu fique horas por lá
olhando a luz que vaza da sua cortina
me sinto tão infantil e perdido
que quando chego em casa
faço como naquela música que você tanto odeia
sofro calado
e sozinho
tomando meu sucrilhos

escrevi às 01:12

segunda-feira, outubro 10, 2011

Os filhos que não poderei ter sujam as folhas nas gavetas onde eu os guardei.
Pensar neles e nos planos que criei é algo tão triste como assumir que todos esses afetos irão empalidecer pouco a pouco até que desapareçam.
Nesse dia meus fantasmas também deixarão de emitir suas preces e quem sabe eu possa novamente ter coragem para olhar em seus olhos. Quem sabe nesse dia você diga que sente muito, que estava me esperando e não queria me expulsar da sua vida, que tudo foi um teste e eu havia passado.
Pena isso só existir em mim e nas histórias que sempre crio para suportar o fato que ainda estou do lado de fora da sua porta esperando você abrir.

escrevi às 00:33

sábado, outubro 08, 2011

Quando eu era criança vi um filme ruim sobre o Ernest Hemingway (mas que me impressionou muito),  no final do filme uma das mulheres que Hemingway amou ia encontra-lo em sua cabana e eles tem uma rápida e banal conversa. Ela vai embora enquanto ele fica parado, vendo a mulher partir. A voz já velha da mulher narra que passaria a vida inteira pensando no que teria acontecido se ele tivesse pedido para que ela ficasse.  Acho que ela fala de coragem...
 Isso me chocou tanto e por tanto anos que não consigo não lembrar de Hemingway agora:
"Se duas pessoas se amam , não pode haver final feliz."
 e dói 

escrevi às 23:33

sexta-feira, outubro 07, 2011

 "A única maneira de conhecer uma pessoa é ama-la sem esperança"  
 
Walter Benjamin

escrevi às 21:02

quarta-feira, outubro 05, 2011

as gavetas comem letras

escrevi às 14:33

segunda-feira, outubro 03, 2011

coleciono músicas tristes e frases sem sentido. anoto tudo em  papeis avulsos, listas de compras, comprovantes de pagamento, bordas de livros ou em qualquer lugar...  nunca sei onde devo guardar tais palavras ou repousar minhas mãos então faço tudo isso em silêncio como se rezasse, faço sem ter para quem mostrar.
pensar nisso nunca me levou a lugar algum, mas bem sei que ainda é de manhã e que há um mundo inteiro lá fora. pena, nunca acontece nada...
logo sou obrigado a inventar novas promessas e ansiar que no final do dia eu tenha ao menos lido os livros corretos, e que ao menos eles tenham me ensinado algo sobre saber esperar e ter esperança.





escrevi às 06:39

sábado, setembro 03, 2011


 tenho vontade de chorar nesses dias em que se desvelam coisas bonitas e cotidianas... pode ser o sol batendo na janela do ônibus, um conceito, uma lembrança que me escapa ou uma música triste no meu fone de ouvido que toca no momento exato. é  sempre nesses instantes que me lembro de você e quase me sinto triste por não ter ninguém para compartilhar essas pequenas banalidades.
 acho meio idiota pensar tudo isso e voltar cabisbaixo para casa, com a mão nos bolsos, performando minha forçosa tristeza de modo infantil. talvez você também me julgasse meio patético andando sem direção, fazendo milhares de planos afetivos, criminosos e impossíveis.
 ainda que esses planos sejam os mesmos há anos, mudando poucas pessoas, pequenos detalhes e perdendo um pouco do seu brilho, só queria mostrar que você sempre esteve neles e eu não sabia...

escrevi às 01:12

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

 Você precisa descobrir o que quer...
 Não é fácil dizer a verdade ou ser sincero com o que se deseja.
 e ninguém quase nunca quer saber sobre nossas vontades,
 então eu queria dizer a você:
 que é preciso ser forte
 é preciso ter coragem
 é preciso escolher
 por mais clichê que tudo isso soe
 (e nós sabemos que é clichê)
 eu passei muito tempo
 culpando a todos e a tudo
 quando só dependia de mim
 e é isso que talvez doa mais
 admitir:
 "só depende de mim"

escrevi às 16:35

sexta-feira, dezembro 17, 2010

eu vi todas as nostalgias
afogadas no branco da minha pupila.
era como Borges,
carregava fantasmas nos olhos.
ano a ano
a escuridão vai incessantemente
me apagando
e as vezes rezo
para que não exista mais nada
que eu ainda possa ver.

escrevi às 17:00

quarta-feira, dezembro 15, 2010

num esforço para que as pessoas

olhem mais nos olhos umas das outras,
e também para satisfazer os mudos,
o governo decidiu determinar
para cada pessoa exatamente cento
e sessenta e sete palavras por dia.

quando toca o telefone, ponho-o ao ouvido
sem dizer alô. no restaurante
aponto para a canja de galinha.

estou me ajustando bem ao novo jeito.
tenho estampas para todas as ocasiões.
cada manhã invento uma nova frase
que imprimo numa camiseta,
como os seres humanos estão vindo
ou karaokê para mudos.

tarde da noite, ligo para meu amor distante,
orgulhoso digo somente gastei cinqüenta e nove hoje.
guardei o resto para você.

quando ela não responde
sei que usou todas as suas palavras
então sussurro lentamente eu amo você
trinta e duas vezes e um terço.
depois disso, ficamos junto à linha
ouvindo um o respirar do outro.



Jeffrey MacDaniel - O Mundo Silencioso

escrevi às 01:43

terça-feira, dezembro 14, 2010

guardo dentro do peito
seu amor frágil e medroso
as vezes ele insiste em querer fugir
mas eu sou mais forte
e o escondo dentro de folhas rabiscadas
ou em pensamentos vagos no ônibus
toda noite para ver se ainda está lá
deixo ele sair
e quando você está dormindo
digo baixinho para ele:
"tenha coragem para sobreviver um pouco mais"

escrevi às 00:40

segunda-feira, dezembro 13, 2010

Acordei assustado, meu nariz estava sangrando e minhas mãos tremendo. Sonhar com você é como reviver infinitas vezes aquele momento, o eterno retorno do mesmo instante.
Não foi a primeira vez e sempre que isso acontece sou tomado pela sensação de que estou perdendo algo muito meu e me sinto tão só sentado na cama, com um fio de sangue corrido em uma das narinas e ninguém para ligar nessa cidade imensa. Talvez você pudesse escutar as promessas tolas que sempre faço de manhã, mesmo que essas promessas não possam ser cumpridas e sejam idiotisses como: "eu prometo não ligar mais", "eu prometo não me desesperar" ou "prometo nunca amar você se isso te fizer infeliz".
Acho que você iria ficar em silêncio, como sempre faz e eu pediria desculpas, com vergonha de ter o dom de sempre dizer a frase errada na hora errada. Conversar com você me dá medo pois ainda espero que em uma hora qualquer você olhe para mim e diga: "estou cansada e não quero mais". Não seria a primeira vez...
 Sei o quão idiota é esperar qualquer sinal, qualquer mensagem cifrada sua porque eu sei que no fundo quero mesmo que diga: "sim, estou pronta e quero que fique aqui essa noite".
Quando será que aprenderei a ser um senhor sem escravos? A cratera bem no centro das entranhas, cresce e devasta tudo no entorno, até só restar o silêncio e o sangue dificultando minha respiração.
 Não há para quem ligar agora.

escrevi às 20:40

segunda-feira, dezembro 06, 2010

"Alguma vez você já se apaixonou? Horrível, não é?  Você fica tão vulnerável. Seu peito se abre, seu coração se abre e isso significa que alguém pode entrar em você e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas, você constrói uma armadura durante anos, de modo que nada possa te machucar, então uma pessoa estúpida, nada diferente de qualquer outra pessoa estúpida, entra em sua vida estúpida... você dá a eles um pedaço de você. Eles não pediram por isso. Eles fizeram alguma coisa de estúpido um dia, como beijar você ou sorrir para você, e então sua vida já não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele fica dentro de você. Ele devora você e te deixa chorando na escuridão, então uma simples frase como 'talvez devessemos ser apenas amigos' se transforma em estilhaços de vidro rasgando o caminho em seu coração. Isso dói. Não apenas na imaginação. Não apenas na mente. É uma alma ferida, uma verdadeira dor-dentro-de-você-que-te-rasga-para-além-da-dor. Eu odeio o amor."

Neil Gaiman

escrevi às 02:34

sexta-feira, dezembro 03, 2010

nenhuma palavra
ou frase
só o cansaço de olhar o teto
falta pouco para que amanheça
e o seu cheiro em minha cama
não me deixa dormir
logo a claridade
atravessa as cortinas
e terei que sair de casa
com minhas olheiras fundas
irei agredir
o comerciante abrindo sua loja
os velhinhos comprando pão
o trocador do ônibus
mas nenhum deles irá entender
por que diabos
eu estou sorrindo

escrevi às 05:10

"Entrarei silencioso no quarto de dormir e me deitarei
entre noivo e noiva,
esses corpos caídos do céu esperando nus em sobressalto,
braços pousados sobre os olhos na escuridão,
afundarei minha cara em seus ombros e seios, respirarei tua pele
e acariciarei e beijarei a nuca e a boca e mostrarei seu traseiro,
pernas erguidas e dobradas para receber,
caralho atormentado na escuridão, atacando,
levantado do buraco até a cabeça pulsante,
corpos entrelaçados nus e trémulos,
coxas quentes e nádegas enfiadas uma na outra
e os olhos, olhos cintilando encantadores,
abrindo-se em olhares e abandono,
e os gemidos do movimento, vozes, mãos no ar, mãos entre as coxas,
mãos, na humidade de macios quadris, palpitante contracção de ventres
até que o branco venha jorrar no turbilhão dos lençóis
e a noiva grite pedindo perdão
e o noivo se cubra de lágrimas de paixão e compaixão
e eu me erga da cama saciado de últimos gestos íntimos
e beijos de adeus –
tudo isso antes que a mente desperte,
atrás das cortinas e portas fechadas da casa escurecida
cujos habitantes perambulam insatisfeitos pela noite,
fantasmas desnudos buscando-se no silêncio. "
 
 Poema de amor sobre um tema de Whitman - Allen Ginsberg

escrevi às 02:13

segunda-feira, novembro 29, 2010

Caro Senhor I.,
         faz muito tempo que não nos vemos mas ainda permanece doloroso constatar que sua faca só pesa em minhas costas em noites como essa. Espero que me perdoe por começar atacando, mas se há algo que me ensinou, foi justamente nunca hesitar em atirar. Acho que aprendi essa lição muito bem.
         Em nosso último encontro o senhor ainda parecia um pouco transtornado e arredio, mesmo assim eu ainda pensei em te abraçar em nome da nossa velha amizade mas mantive uma distância segura. É provável, que o senhor não tenha se incomodado e até compreendido bem essa minha desconfiança, já que todas as suas relações parecem sempre pautadas nisso, um grande jogo de traições e rupturas. Triste é constantar que o senhor nunca pareceu ser um bom estrategista, escolhendo constantemente como inimigo aqueles que tinham o senhor em mais alta estima.
         Não quero usar de silogismos prontos e covardes afirmando que o senhor me dragou para sua vida com seus problemas e que tem o perverso poder de destruir tudo por tão pouco. Sei onde errei em minha última carta e todo ressentimento infantil que deixei transparecer no calor das horas mas como o senhor, eu não vou pedir desculpas... talvez hoje eu entenda melhor suas atitudes, embora tenha dificuldade em aceitar que todas as suas certezas te transformaram somente em alguém infeliz e distante de qualquer "outro". Não era contra isso que lutavamos?
         Desejo que o senhor esteja bem, mesmo que sua escolha tenha sido essa, ser eternamente coerente com o mofo dentro do próprio peito.
         Adeus.

escrevi às 23:50

Certa vez, queimei todos os pedaços de papel, poesias e cartas que me lembravam um grande amor. Em um desses papeis estava escrito, ironicamente, que eu estaria mentindo se algum dia dissesse ter esquecido tudo aquilo que senti.
O que de certa forma acabou sendo verdade.
Naquela época eu não sabia como era estar de fato com outra pessoa e me lembro perfeitamente da expressão no rosto dela quando disse: "não sei e talvez nunca possa dizer o que quero de você" (foi uma expressão tão confusa como observar o rosto de Magda, a vizinha de "Não Amarás"). A verdade é que passei muito tempo procurando alguma explicação por ter sofrido tanto por ela, mas nunca encontrei nada além de todas as idealizações infantis que eu mesmo criei.
Então, acho que hoje posso te dizer que talvez entenda sua dor, pois naquela época eu também parecia precisar de um drama qualquer para preencher meus dias. E é por isso que estou aqui, eu ainda estou aqui...

escrevi às 16:40

domingo, novembro 28, 2010

quase um ano se passou
desde que achei que queria beija-la
depois disso 
o gosto de cerveja quente
e
quase
500 cigarros apagados
em seus lábios
me lembram
que estou exatamente
onde queria estar


Escreveria mais se não tivesse tão cansado de não dizer nada...

escrevi às 06:01

sábado, novembro 27, 2010

devo dar o próximo passo mesmo sem saber onde estou pisando?

meu coração dispara e pupilas dilatam enquanto sinto um frio incomodo na barriga... não consigo pensar em nada. pode ser o último instante e na velocidade que estamos provavelmente não vai sobrar nada. ninguém pronunciará uma palavra, apenas afrouxaremos o cinto e vislubraremos nosso fim, inclinando a cabeça para baixo, fitando corajosamente o abismo que se revela.

assim espero que aconteça, mas é provável que eu não ache resposta alguma essa noite. talvez porque não há resposta a ser encontrada... não hoje e não essa noite. se você pedisse, aceitaria de bom grado me calar mas mesmo se eu ficasse em silêncio teria pouca sorte e estou tão cansado de fingir que não estarei aqui quando você voltar que vou guardar todos os meus segredos...
 
bem sei que de manhã quando acordar e olhar o teto, como sempre faço, tudo que sinto terá passado. vou me sentir idiota por sempre inventar motivos para perder o sono. meu quarto sem você parece menos meu, é só um quarto, um lugar qualquer, um pequeno ponto perdido no nada, no escuro... a cama desfeita e o espaço vazio que deveria ser seu parecem demonstrar que tudo isso só é importante para mim.

só agora me lembro da sua promessa mas o que eu realmente quero, não se pode pedir a ninguém.

escrevi às 03:10

sexta-feira, novembro 26, 2010

Eu entro/ eu te vejo/ eu te observo/ eu te examino/ eu te espero/ eu te faço cócegas/ eu te provoco/ eu te respiro/ eu converso/ eu toco no seu cabelo/ você é a pessoa/ você é a pessoa que fez isso comigo/ você me pertence/ eu te mostro/ eu te sinto/ eu te pergunto/ eu não pergunto/ eu não espero/ eu não te pergunto/ eu não posso te contar/ eu minto/ estou chorando muito/ havia sangue/ ninguém me contou/ ninguém sabia/ minha mãe sabe/ eu esqueço seu nome/Eu não penso/ eu escondo minha cabeça/ eu escondo sua cabeça/ eu escondo você/ minha febre/ minha pele/ eu não consigo respirar/ eu não consigo comer/ eu não consigo andar/ eu estou perdendo tempo/ estou perdendo chão/ não posso agüentar isso/ eu choro/ eu grito/ eu mordo/ eu mordo seu lábio/ eu respiro sua respiração/ eu pulso/ eu rezo/ eu rezo em voz alta/ eu cheiro você na minha pele/ eu digo a palavra/ eu digo seu nome/ eu te cubro/ eu te abrigo/ eu fujo de você/ eu durmo ao seu lado/ eu cheiro você nas minhas roupas/ eu guardo suas roupas.


 Jenny Holzer, um poema

escrevi às 03:13

domingo, novembro 21, 2010

me relate todos os seus feitos
seus períodos de chuva
e todas as razões pelas quais você não conseguia dormir a noite

queria ser merecedor dos seus segredos

gostaria de encontrar
uma coisa qualquer
para acreditar
só hoje
só por hoje

isso é o que se sente
andando sem rumo
através das ruas dessa cidade
esperando que os pensamentos cessem

enquanto volto para casa
nuvens
telhados
ruas e casas
me distraem

me impedem de entender
o que de fato tudo isso significa

talvez
eu esteja perdido
ou quem sabe,
o amor

escrevi às 02:29

quinta-feira, novembro 18, 2010

"Agora escrevo pássaros.
Não os vejo chegar, não escolho,
de repente estão aí,
um bando de palavras
a pousar
uma
por
uma
nos arames da página,
entre chilreios e bicadas, chuva de asas,
e eu sem pão para dar, tão somente
deixo-os vir. Talvez
seja isto uma árvore,
ou quem sabe,
o amor."

 Para Cris - Julio Cortázar

escrevi às 15:51

segunda-feira, novembro 15, 2010

penso em te acordar para ler o poema que achei
mas 4:48 se aproxima e você deve estar na cama
talvez sinta o mesmo que eu no seu quarto silencioso

não tenho pressa

dirigiria até você
se soubesse dirigir

ou

escreveria meus versos mais bonitos
mas só consegui esse emaranhado de palavras sem sentido


então eu fico deitado em minha cama
olhando para o teto
esperando que algo ocorra



(nunca acontece nada)



o telefone não vai tocar

a porta não vai abrir

e o café intocado já esfriou na mesa

enquanto ainda não amanheceu






quando você abre os olhos qual é a primeira coisa que você pensa?

escrevi às 04:40

domingo, novembro 14, 2010

Certa vez sem querer tropecei no amor, desde então, eu sinto como se estivesse doente.

escrevi às 23:46

eu amava a sua ausência. lembrava do seu cheiro, mas não era o “seu” cheiro. escutava a sua voz, mas não era a “sua” voz. a foto que ficava em cima da escrivaninha e que escondi no fundo armário também não era você. e era isso que eu amava tanto: a sua ausência tinha a minha forma e tenho saudades quando começo a esquecer quem sou.

há várias maneiras de não se sentir só. simular a presença e criar alguém.como os fantasmas que acompanham fotos, roupas, cartas, cheiros ou lembranças. a presença não é uma questão necessariamente física (muito menos estar sozinho). a concretude parece as vezes ser apenas mais um dos meios de propagação desse desencantamento do mundo.

a sua lembrança era como a respiração quando se dorme junto ou o braço largado sobre o peito do outro. era como se nada de ruim acontecesse enquanto eu pudesse lembrar. e já fazia muito tempo que tudo era tão silencioso e calmo. tudo era silêncio em direção ao silêncio absoluto. o pensamento vagando pelos caminhos da memória; completamente sozinho. por resto, eu entrava nos elevadores louco para que eles caíssem ou por qualquer outro barulho que quebrasse o silêncio. ansioso por um uivo que ecoe dentro de mim.

acho que ela também sentia o mesmo, mas sempre foi muito mais corajosa que eu, nunca esperou que pressão subisse, a ansiedade aumentasse ou que o coração parasse. ainda assim ela se cansou e pelo menos em um momento de todos aqueles anos, decidiu sobre o seu destino. tomou as rédeas da sua vida.

nada mudou.

ao menos, durante um bom tempo. recebi visitas de consolo que me faziam rir um pouco da idiotice daquelas pessoas. eu não precisava de visitas. já me cansei das conversas sobre “como vão os seus estudos?”, “e o coração?”... e o coração... meus amigos (os que restaram) acham que estou deprimido, mas nem psicólogos e nem orações resolvem o meu problema. não quero distrair a minha tristeza, não quero me distrair. acho que todos que me cercam sabem o que quero, só que é extremamente difícil para qualquer um deles ceder. é sempre mais fácil apelar para as convenções, para as palavras prontas de aconchego. digam que sou orgulhoso! digam que eu desejo mais do que posso ter! não é assim que eu quero que as coisas acabem! eu quero apenas o começo. só o começo sem fim algum.

coloco meu tênis velho, pego o casaco e saio para a rua. sempre existe uma esperança que algo aconteça (fico lembrando e cantarolando aquela canção que diz que há uma luz que nunca se apaga) . no elevador nada acontece. as ruas estão vazias e eu penso "nada demais". nada demais. o sinal está aberto para mim. atravesso devagar como se não fosse conseguir chegar ao outro lado, como se fosse desaparecer feito um fantasma. no entanto, algo me atinge antes de chegar ao outro lado. abro os olhos e não estou em casa. já não consigo sentir dor. uma luz pisca acima da minha cabeça (ela nunca se apaga completamente).

chove forte

finalmente eu estou só

escrevi às 16:35

quinta-feira, novembro 11, 2010

"ficarei a beira da porta
esperando você voltar
e quando aparecer no corredor
os meus braços parecerão pequenos para te abraçar
como uma criança prestes a chorar
afundarei minha cabeça nos teus ombros
e sujarei com lágrimas sua roupa
seu pescoço
cabelo
encherei seu ouvido com meu lamento
silencioso
meu rosto ficará deformado
mas nenhum som sairá da minha boca"



do caderno azul que achei perdido pelo quarto

escrevi às 03:58

segunda-feira, novembro 08, 2010

"O que fazer quando não se pode mais amar as memórias?"

você sofre por achar frases mal escritas e perdidas em seu caderno azul (frases que ridiculamente ainda fazem sentido)

escrevi às 18:01

Eu tenho medo de esquecer você
e
acreditar na maior mentira que inventei
que não se consegue sentir falta
do que não se pode lembrar

escrevi às 17:40

domingo, setembro 26, 2010

"Eu repito: a minha memória não é amor, mas hostilidade. Ela trabalha não para reproduzir, mas para afastar o passado." Deleuze


escrevi às 13:58

 Enquanto limpava os livros na estante empoeirada achei um papel com letras tremidas, escritas a lápis e quase apagando. Reproduzo essas letras agora, não para lembrar mas, esquecer...

 "e como veio tão logo partiu, levando com ela tudo o que era meu, levou as tardes, noites, o almoço, o deitar na cama, os banhos demorados, as pizzas nas quintas-feiras, suas bebedeiras no fim de semana, as risadas, choros e algumas pouca brigas,
 todos os clichês de um relacionamento
 e no fim não restou nada ... talvez fosse pouco, e eu sei que era, mas tudo que eu tinha era seu."

escrevi às 13:55

domingo, setembro 19, 2010

Não há nada mais triste que ficar em casa com o vestido de festa

escrevi às 20:18

terça-feira, setembro 14, 2010

A velha sensação de precisar escrever e cruzar a madrugada esperando que algo aconteça...
Sei bem como é isso tudo e nada consegue aplacar a fome que sinto agora, nenhum rosto, situação ou lembrança me faz dormir, então eu volto a essas mesmas páginas para escrever as mesmas coisas e fingir que toda essa tristeza me traz mais do que velhos problemas.
É engraçado e triste que como nunca consigo escrever o que sinto, não tenho coragem e tudo soa mais piegas do que é de fato. Então mudo de assunto... como estou fazendo agora...
Talvez seja doloroso admitir que se está perdido e que não há animo nem mesmo para levantar da cama as vezes... há coisas que não devem ser ditas nem mesmo quando se está sozinho e toda vez que esses pensamentos me invadem, me calo e tento pensar que isso é só uma fase. Somos novos e há um mundo inteiro pela frente.
E tudo que queria escrever parece ser pouco, me calo e vou deitar... é o que resta...

escrevi às 00:39

sábado, junho 05, 2010

Nada mais patético do que mendigar atenção... engraçado, achei que já havia me acostumado...

escrevi às 18:35

As vezes eu esqueço que esse lugar existe e o que ele de fato significa para mim.
Só volto à esse espaço quando sou impelido a escrever sobre o que não entendo, quando estou triste demais para sair e andar pela cidade, quando me canso (e me envergonho) de chorar debaixo das cobertas... tudo isso soa clichê e de fato é, mas em dias frios como esse só isso me restou, um punhado de frases sem sentido e sentimentos que eu não sei onde guardar.

escrevi às 17:14

quarta-feira, dezembro 09, 2009

"você é como um peixinho dourado fora da água, saltando desesperado tentando voltar para o aquário, aquela prisão que chamava de lar..."

Teria dito isso a ela se também não fosse como um peixinho dourado, 3 segundos passaram
e ele se esqueceu por qual razão tinha fugido...

escrevi às 00:45

segunda-feira, novembro 23, 2009

Não faz muito tempo
em que eu sonhei com você
suas mãos em meu cabelo
me empurrando para baixo
me afogando nessa água rasa e suja
eu deveria estar desesperado para respirar
mas esboço um sorriso
por ainda ser digno o bastante para que me toque
agradeço silenciosamente
e ficarei tão satisfeito com suas migalhas
que chamarei de amor

escrevi às 00:26

sexta-feira, novembro 20, 2009

andar pela cidade de madrugada



pensando em como é bonito



ainda ter sonhos




(sem que isso doa)

escrevi às 01:03

quinta-feira, novembro 19, 2009

já faz tempo
eu acordava no meio da noite e procurava
deus ainda estava lá.


é verdade que fui feliz
e que meus dias também foram belos
como no ano em quem te amei


mas meus sapatos já estão caminhando

sozinhos

para casa

escrevi às 00:21

segunda-feira, novembro 02, 2009

primeiro esboço para um futuro fracasso

"todos os dias antes de dormir ouço por debaixo da porta os passos do homem que fica lá fora andando por toda noite.ele só aparece quando eu não estou olhando, só me lembro dele quando vou dormir, quando estou tão cansado e penso que bonito seria voltar a ver cinema no teto do quarto feito das luzes dos carros nas ruas, mas quando me deito já não há mais carros lá fora e o homem permanece impaciente como se dissesse: enquanto não fechar os olhos ainda estarei aqui, arrastando chinelo pela casa a procura de algum sentido dentro dos armários ou da geladeira...
há tanta coisa acontecendo lá fora porque você insiste em tentar dormir? é tão fácil arranjar uma desculpa qualquer: "esta tarde", "estou sozinho", "não tenho dinheiro", "não sou bom o bastante"... nunca nos sentiremos bons o bastante para nada (e já ficou tarde demais para agir).
as vezes eu tento mas lagrimas saltam dos olhos e fico olhando para o teto me perguntando por qual razão estou chorando se já faz tanto tempo (e não faz mais sentido), se eu já deveria ter me acostumado a certos fracassos... fico quieto, pensando nos belos versos que poderia fazer com essa "dor" (mas nunca faço). permaneço um tempo com o rosto molhado e quente, até que me sinto idiota e tenho pena de mim mesmo. talvez só assim me sinta de fato satisfeito....
a verdade é que ainda tenho 20 e poucos anos e penso nisso porque eu sei que agora o mundo parece extenso e com possibilidades tão grandes que me sinto pequeno e sozinho quando vou dormir, como tantos outros também dentro de seus quartos escuros, morando em apartamentos velhos com suas avós velhas e gordas, em prédios velhos de um bairro sujo qualquer, em cidades afastadas das cidades principais, em países distante dos principais países... me sinto solitário e igual a tantos outros, sem nada para mostrar como meu, para dizer "sou único, olhe que eu já fiz"... apenas idéias... milhões de idéias sem cor e sem forma... eu sei, que quando tiver que arranjar um emprego que não gosto (pois um dia os pais se cansam de tanta passividade), quem sabe irei sorrir e dizer: "já era hora de crescer" .

os anos vão passar e não seremos artistas e nem astros do rock, só funcionarios públicos com um grande sorriso no rosto por estarmos vivos e termos dinheiro para no final de semana quem sabe ir ao cinema e fingir ter uma vida. Seus amigos sentirão a mesma coisa mas permanecerão calados, guardaremos tudo isso em segredo pois há coisas que não podem ser ditas.

virão as incontaveis paixões, os amores que não vão se realizar... como o primeiro amor passou... o segundo amor passou... o terceiro amor passou... o amor vai apenas passar e ficarão os filhos para te lembrar que é necessário trabalhar mais para dar a eles alguma possibilidade de também poderem sentir o vazio que você sente agora.
(ainda clama todas as manhãs para que alguém te toque, roce levemente a mão sobre seus ombros mas agora parece que estamos bem no fundo e é triste como alguns ainda finjam respirar quando todos estão se afogando nessa mesma agua suja)

no fim, ficaremos cansados, enrugados e tudo isso só servirá para ver que todas as minhas ideologias não me trouxeram nada,nada além de me afastar de qualquer coisa que fosse diferente do que sou... velho e sozinho, eternamente coerente com o mofo dentro de mim.
já é de manhã e eu não tenho sono."

escrevi às 22:44

sábado, outubro 31, 2009

Você só me dói nessas horas, nesses dias tão bonitos e luminosos em que estou sozinho!

escrevi às 08:09

sábado, outubro 03, 2009

"Há infinita esperança, mas nao para nós"

Kafka

escrevi às 03:40

O tempo todo como era óbvio o contentamento descontente;
Como isso era claro, óbvio;
Como ouvidos poderiam ser violados com bobos segredos lindos e indecentes.


Como eu poderia imaginar, na minha tola experiência que alguém assim, tão perfeito, tão cheio de forma e graça poderia calçar com tanta precisão o sapato perdido na escadaria? Não é tolice pensar que você pode gostar de alguém e ser retribuído?

O primeiro amor passou... o segundo amor passou... o amor simplesmente passou e você só me deu o que era confortável dar...

escrevi às 03:33

quarta-feira, novembro 05, 2008

"Oh Mother, I can feel the soil falling over my head"


And as I climb into an empty bed

Oh well... Enough said

I know it's over - still I cling

I don't know where else I can go

Oh...



Oh Mother, I can feel the soil falling over my head

See, the sea wants to take me

The knife wants to slit me

Do you think you can help me ?

Sad veiled bride, please be happy

Handsome groom, give her room

Loud, loutish lover, treat her kindly

(although she needs you

more than she loves you)

And I know it's over - still I cling

I don't know where else I can go

(Over and over and over and over

Over and over...)

I know it's over

And it never really began

But in my heart it was so real

And you even spoke to me, and said:

"If you're so funny

Then why are you on your own tonight?

And if you're so clever

Then why are you on your own tonight?

If you're so very entertaining

Then why are you on your own tonight?

If you're so very good-looking

Why do you sleep alone tonight?

I know...

Because tonight is just like any other night

That's why you're on your own tonight

With your triumphs and your charms

While they're in each other's arms..."



It's so easy to laugh

It's so easy to hate

It takes strength to be gentle and kind

(Over, over, over, over)

It's so easy to laugh

It's so easy to hate

It takes guts to be gentle and kind

(Over, over)



Love is Natural and Real

But not for you, my love

Not tonight, my love

Love is Natural and Real

But not for such as you and I, my love



Oh Mother, I can feel the soil falling over my head

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head

Oh Mother, I can feel the soil falling over my




I Know it's Over - The Smiths

escrevi às 02:18

Quando vai me deixar em paz
foi você quis assim
e já não posso fazer nada
senão esperar que você
também se esqueça

você nunca muda de fato e se está infeliz essa noite a culpa é só sua ...e eu sei que você está ...

escrevi às 01:31

sexta-feira, outubro 31, 2008

Esse é nosso último adeus...
odeio sentir que o amor entre nós morreu
mas está acabado.
Apenas escute e depois eu irei embora:
você me deu mais por que viver
mais do que você saberá.

Esse é nosso último abraço.
Eu só preciso sonhar pra ver o seu rosto.
Por que não conseguimos superar esse muro
querida, talvez seja porque eu não te conhecia.

Beije-me, por favor, me beije
mas me beije pelo desejo, querida, não pela consolação.
Você sabe, isso me deixa tão irritado,
porque eu sei que na hora eu só vou lhe fazer chorar,
este é nosso último adeus.

Você disse: "Não,isso não pode acontecer comigo"
e você correu até seu telefone pra ligar?
E tinha uma voz estranha na sua mente lhe dizendo:
"talvez... você não o conheça...você não o conheça..."

Então, os sinos da torre da igreja tocaram
queimando vestígios dentro desse meu coração
pensando bastante nos seus delicados olhos

e na memória dos seus suspiros
"Está tudo acabado,está tudo acabado..."

Last Goodbye - Jeff Buckley

escrevi às 23:37

lembra daquele dia que a chuva molhou nossos pés
e você me prometeu 60 anos que nunca virão
agora as paredes parecem estar velhas demais
e eu tenho vontade de quebrar a casa inteira
oh me desculpe
me desculpe por lembrar
das suas palavras vazias
alguns não conseguem esquecer
todas essas noites sem dormir
e tantas promessas que faziamos nessa mesma cama
"ficaremos para sempre juntos"
"para sempre" soa tão engraçado agora
eu não estava mentindo
eu juro não estava mentindo
lembra daquela noite em que você me contou todos seus segredos
(sem dizer nenhuma palavra)
para onde eles vão agora que tudo acabou
com certeza essa é unica herança que você me deixou
milhares de fantasmas dentro de gavetas

escrevi às 22:54

quarta-feira, outubro 01, 2008

"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de uma dose violente de qualquer coisa..."

Uivo - Allen Ginsberg

escrevi às 23:29

Talvez eu esteja apenas cansado
ou a bebedeira do dia anterior ainda não tenha passado
"as luzes da cidade ficam tão bonitas
quando você tropeça nos próprios passos
e mente para si mesmo que a euforia não é passageira"
sim, é necessário acreditar que vem dos copos vazios
essa sensação de que nunca deixo de pensar em você
talvez bastasse lembrar que o tempo se encarregará de tudo
do estômago revirando
do gosto ruim na boca
que sempre permanecem
mesmo sóbrio

escrevi às 22:47

segunda-feira, setembro 29, 2008

"Há uma névoa sobre a cidade como a fumaça no balcão. você tem 3 cigarros agora, todos acesos entre seus dentes. O resto de nós bebe às nossas lembranças decadentes porque sabemos que estamos indo embora, mas isso acontece tão de repente. você é a prescrição perfeita para minha negatividade. apenas uma breve conversa como uma rapida dose de alívio.veja o que você fez. Cantando apenas sobre a dor, é tão estúpido mas acho que é fácil reclamar. tudo isso é sobre a dívida. para sempre em débito com você. os melhores amigos que eu poderia ter. para sempre em dívida com você"

Respira - A Brief Conversation

escrevi às 20:47

eu chamo meus amigos (os que restaram)


para me assistirem cair


da porta do bar eles riem


queria que me visse agora


com o rosto voltado pra o chão


não é uma questão de culpar alguém pelos erros,


mas desta vez eu sei (e aceito)


a culpa é minha.


escrevi às 19:53

domingo, setembro 28, 2008

"- Pelo amor de Deus, não diga isso, Ned! Não quero reconhecimento... o que quero é compreensão, não sei o que quero de você, ou de qualquer outra pessoa, na verdade. Quero mais do que recebo, é tudo que sei.
Quero que você saia para fora da sua pele. Quero que todo mundo se dispa, não apenas até a pele, mas até a alma. Às vezes fico tão faminto, tão voraz, que seria capaz de comer as pessoas. Mal posso esperar que me digam as coisas... como sentem... o que querem... e assim por diante.
Quero mastigá-las vivas... descobrir por mim mesmo... rápido, imediatamente. Escute aqui: apanhei um desenho de Ulric que estava sobre a mesa. Está vendo isso? Suponhamos que eu o comesse - comecei a mastigar o papel.
- Por Deus, Henry, não faça isso! Ele vem trabalhando nisso nos últimos três dias. É uma encomenda - Arrancou-me o desenho da mão.
- Está bem, disse eu. Me dê outra coisa, então. Me dê um casaco... qualquer coisa. Venha cá, me dê sua mão. - Fiz uma tentativa de alcançar sua mão e levá-la até a boca. Ele a puxou violentamente.
- Você está ficando doido - disse ele. Ouça, controle-se. As garotas logo estarão de volta e então, você poderá comer comida de verdade.
- Como qualquer coisa. Não estou com fome, disse eu, estou exaltado. Só quero lhe mostrar como me sinto. Você nunca fica assim?
- Certamente que não! - disse ele, mostrando um canino. Por Deus, se chegasse a esse ponto iria consultar um médico. Acharia que estava com delirium tremens ou algo do gênero. É melhor você deixar o copo descansar... o gim não está lhe fazendo bem.
- Acha que é o gim? Está bem, vou jogá-lo fora. - Fui à janela e joguei a bebida fora, na área.
- Pronto, agora me dê um copo d´água. Traga um jarro d´água. Vou lhe mostrar... Nunca viu ninguém ficar bêbado com água, hein? Pois bem, me observe.
(...)
- Tem certeza que não quer uma gotinha de gim na água? Não vou acusá-lo de trapaça. A água é tão sem graça, sem gosto!
- A água é o elixir da vida, meu caro Ned. Se eu governasse o mundo, daria às pessoas criadoras uma dieta de pão e água. Aos obtusos daria a comida e a bebida por que anseiam. Eu os envenenaria satisfazendo seus desejos. A comida é veneno para o espírito. A comida não satisfaz a fome, nem a bebida, a sede. O alimento, sexual ou de outra ordem, só é satisfatório para os apetites. A fome é outra coisa. Ninguém pode satisfazer a fome. A fome é o barômetro da alma. O êxtase é a norma. Serenidade é estar livre das condições atmosféricas - o clima permanente da estratosfera. É para onde todos nós nos dirigimos... para a estratosfera. Já estou um pouco bêbado, não vê? Porque, quando você pode pensar sem serenidade, quer dizer que já passou do zênite de exaltação. Um minuto depois do meio-dia começa a noite, dizem os chineses. Mas no zênite e no nadir você fica totalmente parado por um momento ou dois. Nos dois pólos, Deus lhe dá a chance de se livrar do mecanismo de relógio. No nadir, que é a intoxicação física, você tem o privilégio de ficar louco - ou de cometer suicídio, No zênite, que é um estado de êxtase, pode-se passar realizado para a serenidade e a felicidade. São agora dez minutos depois das doze no relógio espiritual. A noite caiu. Não estou mais com fome, sinto apenas um desejo maluco de ser feliz."


Sexus - Henry Miller

escrevi às 02:59

devo voltar para casa, o dia amanhece
e o resto de nós bebe
festejando nossas memórias decadentes em um bar sujo qualquer
ainda estou como se bêbado de água
penso, talvez exista um ponto onde possa observar tudo de forma mais clara
então retornarei alguns passos e me embriagarei em nossas meias verdades
já não me sinto tão idiota nesse "lugar menos importante" em que você me deixou

escrevi às 01:35

quarta-feira, setembro 24, 2008

"Deste-me a intempérie,
A leve sombra da tua mão
Passando por meu rosto.
Deste-me o frio, a distância,
O amargo café da meia-noite
Entre mesas vazias.

Sempre começou a chover
Na metade do filme,
A flor que para ti levei tinha
Uma aranha esperando entre as pétalas

Creio que sabias
E que favoreceste a desgraça.
Sempre esqueci o guarda-chuva
Antes de ir buscar-te,
O restaurante estava lotado
E vozeavam a guerra nas esquinas.

Foi uma letra de tango
Para tua indiferente melodia.
"

Quiçá a mais querida - Julio Cortázar

escrevi às 19:28

Não estou silencioso porque não estou pensando em você.
Eu apenas não tenho nada de novo a dizer.

escrevi às 18:53

domingo, setembro 21, 2008

Vladimir: Então, devemos partir?
Estragon: Sim, vamos.
Eles não se movem.


Esperando Godot - Samuel Beckett

escrevi às 02:30

esperei a noite inteira e todos os meus pensamentos não me levaram a lugar nenhum
a melhor parte de aguardar é sempre ver que de manhã não se sente mais nada
mesmo que suas chaves ainda permaneçam em cima da mesa
mesmo que eu perceba sua ausência pelo vazio na cama desfeita

escrevi às 02:08

domingo, setembro 14, 2008

"o pessimista deve inventar para si mesmo, a cada dia, outras razões para existir: é uma vítima do sentido da vida"

E.M. Cioran

escrevi às 01:23

e assim, gradualmente, vamos seguindo em frente...
você sabe como é dificil, não sabe?
( mesmo que as vezes pareça ser tão fácil para você )
paciência... o passado precisa ficar onde está
então já deixei de acreditar em promessas
mesmo que faça as minhas todas as manhã quando acordo:
"não ficar triste"
"não me apaixonar"
"ir a aula"
"não lembrar"
"seguir"
"..."
são as minhas preces silenciosas
meus pequenos motivos diários para viver
e as promessas que eu também quebrarei.
tenho certeza de que não posso fazer mais nada por nós
( isso é tão libertador, querida)
estou cansado e já não me importo mais
se me procura, se virá me assustar a noite em meus sonhos, se tem problemas, se está sozinha, se suas cartas ficam pelo chão, se seu namorado te trai, se ainda lê o que escrevo ou tem sentimentos por mim, se está feliz
eu estou
isso basta


(sei que não poderei cumprir grande parte delas)

escrevi às 00:50

terça-feira, setembro 09, 2008

"Quando Ana me deixou - essa frase ficou na minha cabeça, de dois jeitos - e depois que Ana me deixou. Sei que não é exatamente uma frase, só um começo de frase, mas foi o que ficou na minha cabeça. Eu pensava assim: quando Ana me deixou - e essa não-continuação era a única espécie de não continuação que vinha. Entre aquele quando e aquele depois, não havia nada mais na minha cabeça nem na minha vida além do espaço em branco deixado pela ausência de Ana, embora eu pudesse preenchê-lo - esse espaço branco sem Ana - de muitas formas, tantas quantas quisesse, com palavras ou ações. Ou não-palavras e não-ações, porque o silêncio e a imobilidade foram dois dos jeitos menos dolorosos que encontrei, naquele tempo, para ocupar meus dias, meu apartamento, minha cama, meus passeios, meus jantares, meus pensamentos, minhas trepadas e todas essas outras coisas que formam uma vida com ou sem alguém como Ana dentro dela.

Quando Ana me deixou, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos dourados e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, e podia ser Lucinha da agência ou Paulo do cineclube ou Nelson de Paris ou minha mãe do Sul, convidando para jantar, para cheirar pó, para ver Nastassja Kinski nua, perguntando que tempo fazia ou qualquer coisa assim, então pensei agora a campainha vai tocar. Podia ser o porteiro entregando alguma dessas criancinhas meio monstros de edifício, que adoram apertar as campainhas alheias, depois sair correndo. Ou simples engano, podia ser. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar.

Depois que Ana me deixou - não naquele momento exato em que estou ali parado, porque aquele momento exato é o momento-quando, não o momento-depois, e no momento-quando não acontece nada dentro dele, somente a ausência da Ana, igual a uma bolha de sabão redonda, luminosa, suspensa no ar, bem no centro da sala do apartamento, e dentro dessa bolha é que estou parado também, suspenso também, mas não luminoso, ao contrário, opaco, fosco, sem brilho e ainda vestido com um dos ternos que uso para trabalhar, apenas o nó da gravata levemente afrouxado, porque é começo de verão e o suor que escorre pelo meu corpo começa a molhar as mãos e a dissolver a tinta das letras no bilhete de Ana - depois que Ana me deixou, como ia dizendo, dei para beber, como é de praxe."

trecho de Sem Ana, blues de Caio F. Abreu

escrevi às 16:54

Plágio de Ginsberg:

Faz muito tempo que mudamos para cá
e transamos, conversamos, sonhamos
choramos, mijamos juntos.
Desde então eu acordo todos os dias
e pela manhã com o mesmo devaneio tolo nos olhos
caminho até a porta para ver se você voltou
para crer que você ainda lembra de mim
eu te amo eu te amo eu te amo
amo você e todas as mulheres infelizes e mal amadas da sua família
aceitaria tudo e aceito agora que já não faz mais diferença aceitar ou não
aceito seus vexames, as garrafas de vodka enterradas no armário,
seu choro, a sujeira que sempre ficava presa nos teus dentes,
sua infantilidade, sua eterna infantilidade...

Faz tanto tempo que tenho me sentido sozinho
e passo horas deitado nessa cama
e ninguém mais veio velar meu sono
ninguém mais para se despir e deitar ao meu lado
ninguém mais para tocar meus joelhos magros

Essa noite estarei por minha conta
então, nunca se sabe quem posso encontrar por aí
(planejamos tão bem nossos fracassos)

Chegarei em casa
abrirei a porta
olharei nos seus olhos
e você não dirá nada

escrevi às 15:39

terça-feira, agosto 26, 2008

“Aí, de repente, começou a acontecer um negócio um bocado fantasmagórico. Cada vez que eu chegava ao fim de um quarteirão e descia o meio-fio, tinha a sensação de que nunca chegaria ao outro lado da rua. Pensava que ia caindo, caindo, caindo, e nunca mais ninguém ia me ver. Puxa, fiquei apavorado pra burro. Ninguém imagina o medão que me deu. Comecei a suar como um filho da mãe, molhei toda a camisa, a roupa de baixo, tudo. Aí comecei a fazer outro troço: cada vez que chegava ao fim do quarteirão, fazia de conta que estava falando com meu irmão Allie. Dizia pra ele ‘Allie, não me deixa desaparecer. Allie, não me deixa desaparecer. Por favor, Allie’. Aí então, quando chegava do outro lado da rua sem desaparecer, eu agradecia a ele”.

O Apanhador no Campo de Centeio - J.D Salinger

escrevi às 18:06

Quantas vezes mais passarei perto da sua casa fazendo versos silenciosos como preces, esperando que nunca saiba que estive aqui ...

Eu gostaria que suas palavras pudessem trazer algo de bom para mim, mas só evidenciam o quão já estamos distantes, talvez seja por isso que toda vez que vejo seu rosto refletido em qualquer poça meu estômago revire ( me forçando a andar sem direção por toda a cidade).

Espero mesmo entender o porquê de que sempre que volto para casa, você vai desaparecendo tão lentamente até se apagar, parece ser tão fácil (tão fácil) para você ir embora me deixando sozinho nesse sofá vazio.

escrevi às 16:42

segunda-feira, agosto 25, 2008

"Neste dia tão frio como o oceano que nos cruzamos
em nosso caminho de volta a realidade.
Um lugar que eu odeio,
mas um lugar que deixamos para
tornarmos amigo das garrafas
e amigos da tristeza.
Quando eu vi você dançar,
fumando e soltando a fumaça no ar,
me tornei um fantasma envolto a ela...
Quem é você?
Não podemos respirar juntos para sempre.
Você me ensinou que eu deveria gastar
apenas estes dias da minha vida gritando

Quem é você?
Porque eu não posso ser eu mesmo,
porque eu não posso te ver outra vez..."

Penfold - Kissing The Nightmare

escrevi às 12:08